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Ele ficou internado 99 dias e fez tratamento com ECMO para vencer covid-19 – 09/07/2021

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George*, 53, sentiu sintomas de gripe e dores nas costas no final de março deste ano. Por isso, resolveu procurar um hospital na cidade onde mora, em Campinas, São Paulo. Quando fez o teste de covid-19, o resultado foi positivo. Os médicos, então, indicaram que ele ficasse em casa, isolado, e prescreveram alguns medicamentos ara amenizar os sintomas.

Após cinco dias, o executivo retornou ao hospital com falta de ar. Ele foi internado e, dois dias depois, intubado. Foram 99 dias de internação. De acordo com a esposa dele, Márcia*, a equipe médica ligou pedindo que ela fosse ao local no dia seguinte para ver George. “Parecia uma despedida, chamei todos da família”, conta.

O médico explicou que já haviam tentado de tudo e, caso ela autorizasse, eles iriam transferir o marido para o Vera Cruz Hospital, para submetê-lo ao ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea) — uma técnica capaz de agir como um pulmão e um coração artificiais para pacientes que estão com os órgãos comprometidos.

“Com esperanças e vendo na mídia que o ator Paulo Gustavo fazia o mesmo tratamento, autorizei”, diz. Quando foi transferido, ele já não transmitia o coronavírus.

Segundo um dos médicos que acompanhou o caso, Gustavo Calado, a técnica já era utilizada em outros casos e é considerada invasiva. “É usada quando a ventilação mecânica não consegue suprimir a demanda de oxigênio e deixar esse paciente bem. Por isso, o tratamento passa a ser refratário”, explica o cirurgião cardíaco do Vera Cruz Hospital e também vice-presidente da Sociedade de Circulação Extracorpórea.

Calado explica que nem todos os pacientes que estão em estado grave podem ser submetidos ao tratamento na máquina. “Na luta contra o coronavírus, o ECMO ainda é um tratamento novo. É necessário que o quadro de saúde seja grave, pois há riscos, e que seu organismo ainda esteja apto para ser tratado.”

60 dias em ECMO

O paciente ficou 60 ligado ao aparelho de ECMO — um tubo é colocado nos vasos sanguíneos para que o sangue seja reoxigenado e feita a troca de gás carbônico e oxigênio. O uso do aparelho, inclusive, requer uma equipe multidisciplinar qualificada e treinada para manuseá-lo.

paciente ECMO - Matheus Campos - Matheus Campos

Alta de paciente foi repleta de alegria no hospital

Imagem: Matheus Campos

De acordo com o médico, ele continuou na técnica mesmo quando acordou, apesar de restrições de mobilidade, algo que vem sendo feito em outros hospitais do mundo. “Esse foi o sucesso do caso dele. Antigamente, a gente deixava o paciente sedado e intubado até melhorar o pulmão. Com experiências internacionais, aprendemos a fazer melhor essa transição [do ‘despertar’ da ECMO]”, conta.

Durante o procedimento, George foi acordado enquanto o pulmão se recuperava com ajuda do ECMO. Isso explica porque o paciente saiu sem ajuda de oxigênio do hospital, por exemplo. “Saiu conversando e totalmente lúcido”, lembra o médico.

A esposa do paciente cita os momentos de angústia durante a internação. “Alguns dias foram bons, outros ótimos, teve dias ruins e outros péssimos. Era viver um dia de cada vez, sem saber o que me esperava ao chegar no hospital. Mas tudo passou e ele está se recuperando.”

paciente ecmo - Matheus Campos - Matheus Campos

Paciente deixando o hospital depois de 99 dias

Imagem: Matheus Campos

Recuperação

Nesta quarta-feira (7), após 99 dias de internação, a família celebra a alta do executivo. Já em casa, ele pediu para colocar os pés na grama e ver o sol. “Ele está muito feliz. O George queria ficar lá fora e hoje ele conseguiu”, diz. A mulher conta que ontem também foi a primeira vez que ele se alimentou e tomou banho em casa.

O paciente vai continuar com o tratamento de casa, que envolve diversas especialidades, como fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, entre outros. É uma nova rotina, segundo Márcia.

“A gente está se adaptando à rotina, é puxada. Lá no hospital, contávamos com um amparo dos técnicos, enfermeiros e médicos. Aqui, recebemos muitas pessoas por dia: é enfermeira, fono, nutricionista, mas graças a Deus”, fala.

De acordo com o médico, em 30 dias o paciente deve retornar à “vida normal”. “Agora, ele está na casa dele, fazendo a reabilitação pós-covid e contando com um acompanhamento bem de perto.”

* Os nomes foram alterados a pedido da família

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