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Especialistas divergem sobre antecipar 2ª dose de vacina contra a Covid em SP – 08/07/2021 – Equilíbrio e Saúde

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Para conter o avanço da variante delta do vírus da Covid-19, o governo Doria estuda antecipar a segunda dose das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca no estado de São Paulo, diminuindo o intervalo entre elas de 90 para 60 dias, mas especialistas ouvidos pela Folha divergem sobre a medida —há quem a defenda e a critique.

O objetivo do governo estadual com a antecipação da segunda dose é completar o esquema vacinal do maior número de pessoas o quanto antes, considerando que a variante delta se espalha mais rapidamente e pode aumentar significativamente o número de casos de Covid-19.

Para Mauro Schechter, professor titular de doenças infecciosas da UFRJ e de epidemiologia das universidades de Pittsburgh e Johns Hopkins (EUA), é mais importante ter um número grande de pessoas vacinadas com ao menos a primeira dose.

“Quanto mais rapidamente as pessoas forem vacinadas, maiores as chances de conter uma pandemia. Não importa se a vacina é um pouquinho mais eficaz que a outra ou menos eficaz. Isso não faz a menor diferença em termos de conter a pandemia”, diz

A variante delta do coronavírus foi registrada pela primeira vez na cidade de São Paulo em um homem de 45 anos que está sendo monitorado. Segundo o governo municipal, o paciente disse que trabalha em casa e negou ter viajado ou ter tido contato com pessoas que vieram do exterior. Ao menos outras 30 pessoas que tiveram contato com ele também estão sendo observadas.

“A estratégia inicial, que deve ser mantida, é vacinarmos o maior número de pessoas no menor tempo possível. Para isso, devemos utilizar os intervalos máximos permitidos, ou seja, quando a gente alarga mais o intervalo entre a primeira e a segunda dose, mais rapidamente a gente consegue avançar no programa de vacinação”, diz o infectologista Renato Kfouri, diretor da SBim (Sociedade Brasileira de Imunizações).

Segundo ele, aumentar o número de pessoas com o esquema vacinal completo não vai diminuir a circulação na nova variante no país, mas pode atrasar o início da imunização de outros grupos.

Já a professora e epidemiologista Ethel Maciel, da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), é a favor da diminuição do período entre as doses, com o objetivo principal de conter o avanço da variante delta no Brasil. No caso da vacina da AstraZeneca, Maciel recomenda a redução para dois meses, em vez dos atuais três. Quanto à vacina da Pfizer, ela recomenda seguir a recomendação do fabricante, que indica um período de 21 dias entre as doses.

Diante da quantidade baixa de doses da vacina, o Ministério da Saúde seguiu o modelo do Reino Unido e decidiu aplicar o intervalo de três meses.

“Tendo em vista a possibilidade do avanço da variante delta, que tem um impacto de proteção contra a infecção de pessoas que receberam apenas uma dose, é importante que a gente acelere o percentual de pessoas com segunda dose”, diz ela.

Para a epidemiologista e presidente da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) Gulnar Azevedo, a possibilidade da transmissão comunitária evidencia que é adequado reduzir o intervalo entre as doses das vacinas, uma vez que apenas com as duas doses a população estará imunizada.

“Estamos falando de uma variante que tem uma capacidade de transmissão muito mais alta e, se pessoas não estiverem imunizadas, há o risco da transmissão voltar a aumentar de forma importante. O número de casos vai aumentar e a necessidade de assistência hospitalar e até de leitos de cuidado intensivo pode ser muito grande”, afirma.

Renato Grinbaum, infectologista e consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), acredita que não há conduta certa ou errada, e que é preciso considerar os dois cenários —mais pessoas apenas com a primeira dose ou investir na imunização completa. “Talvez seja mais interessante nesse momento bloquear os efeitos ruins da variante delta fazendo essa antecipação, mesmo com uma imunização um pouco abaixo daquela efetividade que seria com uma dose mais tardia. Isso favoreceria o fim mais precoce da pandemia e o retorno das atividades econômicas”, diz.

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